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Sexta, 10 de Março de 2017 - 04h08
Tribunal confirma impeachment da presidente da Coreia do Sul
Do G1
A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye (Foto: Jeon Heon-kyun / Pool / Reuters)

A corte Constitucional da Coreia do Sul confirmou nesta sexta-feira (9) a destituição da presidente Park Geun-hye, suspeita de estar envolvida em um escândalo de corrupção que levou a seu afastamento do cargo, por decisão do Parlamento, em dezembro passado.

As ações de Park "constituem um grave atentado ao espírito (...) da democracia e ao Estado de Direito", disse o presidente da Corte Constitucional, Lee Jung-Mi. "A presidente Park Geun-Hye (...) foi destituída", acrescentou.

A decisão unânime do tribunal acaba com meses de crise política, e prevê a convocação de eleições antecipadas nos próximos 60 dias.

Diante da Corte Constitucional, grupos de opositores e partidários do impeachment se reuniram para acompanhar a sessão decisiva, que foi transmitida pela TV.

Park, filha do ditador Park Chung-hee, se tornou a primeira presidenta da Coreia do Sul, ao ser eleita em 2012 com a maior votação da história democrática do país.

Mas seu estilo distante e uma série de polêmicas, somadas ao descontentamento social e político, minaram sua popularidade e levaram milhões de pessoas às ruas para pedir o impeachment.

Em dezembro, o Parlamento destituiu Park por corrupção e abuso de poder, em uma decisão confirmada nesta sexta pela mais alta corte do país.

Com a decisão, Park será obrigada a abandonar o Palácio Presidencial e perderá sua imunidade de chefe de Estado. Ela vai enfrentar a um novo inquérito de procuradores federais.

O escândalo político teve como figura central Choi Soon-sil, chamada de "Rasputina" pela imprensa local. Amiga de Park há 40 anos, Choi Soon-sil é acusada de utilizar sua influência para receber mais de US$ 70 milhões de diferentes empresas sul-coreanas, e de intromissão nos assuntos do Estado

Choi Soon-sil , amiga de Park Geun-hye, em imagem de arquivo (Foto: Ahn Young-joon / POOL / AFP Photo)

Park pediu perdão, em diversas ocasiões, pelo escândalo, mas sempre negou as acusações de ter agido ilegalmente. "Jamais busquei enriquecimento ou abusei do poder como presidente (...). Peço à Corte que adote uma decisão sabia", argumentou em carta enviada aos juízes.

A Corte concluiu que Park violou a lei ao permitir a ingerência de Choi Soo-sil em assuntos do Estado. "O presidente tem que usar seu poder conforme a Constituição e as leis, e os detalhes sobre sua função devem ser transparentes, para que o povo possa avaliar seu trabalho, mas Park ocultou completamente a intromissão de Choi nos assuntos de Estado, e a negou quando emergiram as acusações, inclusive criticando seus acusadores".

De acordo com a procuradoria especial do país, Park Geun-hye aliou-se com a amiga para receber propinas do Grupo Samsung com o objetivo de cimentar o controle do vice-presidente da empresa, Jay Y. Lee, sobre o conglomerado.

As descobertas da investigação de 70 dias levaram à acusação direta contra Park por várias infrações, entre elas conspiração para suborno implicando a Samsung.

Park, de 65 anos, teve seus poderes suspensos desde que foi afastada em dezembro. Com o impeachment, ela se torna a primeira líder sul-coreana eleita democraticamente a ser retirada do cargo.

A procuradoria especial também disse que a presidente foi fundamental para colocar mais de 9 mil artistas, autores e profissionais da indústria cinematográfica em uma lista negra e excluí-los da assistência governamental, o que constituiu abuso de poder.

Protestos

Pelo menos duas pessoas morreram nesta sexta-feira (10) durante manifestações em Seul, em protesto pela cassação da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, segundo informou a polícia para a agência local de notícias "Yonhap".

Um dos mortos é um idoso, de 72 anos, que morreu a caminho ao hospital por causa dos ferimentos que sofreu na cabeça, de acordo com as forças de segurança.

Partidários de Park Geun-hye confrontam-se com a polícia após o anúncio do Tribunal Constitucional sobre o impeachment da presidente da Coreia do Sul (Foto: Jung Yeon-je / AFP Photo)

O homem foi encontrado inconsciente perto da sede do Tribunal Constitucional, cujos integrantes ratificaram o impeachment da presidente Park,

Outro idoso, de 60 anos, foi encontrado inconsciente próximo ao tribunal.

A polícia afirma que há outros dois feridos, enquanto os organizadores da manifestação pró-Park disseram à "Yonhap" que pelo menos oito manifestantes sofreram lesões.

Após a leitura do veredicto começaram violentos confrontos entre a polícia e os partidários da agora ex-presidente sul-coreana, na frente da sede do tribunal e nas proximidades da Avenida Sejong.

Mais de 21,6 mil agentes isolam o Corte, a Casa Azul, a sede da presidência e outros edifícios governamentais da capital por causa das manifestações contrárias e favoráveis a Park.

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